01. Bastardos Inglórios, Quentin TarantinoDifícil dizer algo inédito sobre o filme, mas o importante: é bom pra caralho. Simplesmente isso. Tarantino nos joga no seu próprio universo, onde tudo pode acontecer, e cria um filme de guerra à lá spaghetti ditado em tom irônico e grandioso, épico e brutal. E demonstra toda a sabedoria que o cara ganhou ao mexer com imagens, confrontando as espectativas de quem assiste e seu senso de humor peculiar a cada segundo do filme. Obra-prima, e um dos grandes filmes da década.
02. Um Homem Sério, Joel e Ethan CoenQuando o filme termina, estamos tão tomados de perplexidade quanto os protagonistas. Ok, finalmente temos o dinheiro para pagar o colega traficante. Ok, nós resolvemos aceitar esse grande mistério que é a vida. Aceitar os subornos, aceitar os casamentos que não dão certo, passamos uma hora experimentando os efeitos da maconha, a culpa judaica e o sentimento de tudo dar errado. Basicamente, nós estamos prontos para olhar a vida sob uma nova perspectiva e aceitar de bom grado o que acontece. Mais eis que o céu prenuncia um furacão, eis que o telefone que toca o filme inteiro não toca para noticiar problemas, mas provavelmente uma má notícia. Grace Slick teria razão? Vai saber. O que eu sei é que os Coen acertaram de novo. Obra-prima que só perde O Homem Que Não Estava Lá e O Grande Lebowski.
03. A Fita Branca, Michael HanekeMichael Haneke, a cada filme, segue implacavelmente destruidor e só melhorando o que já havia de bom nos seus filmes. Um grande estudo sobre a repressão, a revolta e os costumes. Tudo isso aliado a uma estética poderossima que nos faz revelar em meio a uma sutileza grotesca e brutal todos os absurdos e monstruosidades que mentes ditas "comuns" podem cometer assim, num estalar de dedos. É um cinema que exige do espectador. Não cumplicidade, mas atividade, pensamento, reflexão. A passividade individual só gera o que todos os seus filmes mostram: o lado doentio das pessoas.
04. Mother, Bong Joon-hoO sul coreano não precisa provar pra mais ninguém que é um dos melhores diretores atuais com seu ritmo denso, piadinhas fora do lugar, brutalidade contrastante, voadoras nonsese e um senso dramático muito forte. O resultado disso é Mother, um estudo psicológico muito forte, muito triste e muito bonito do que uma mãe é capaz de fazer para proteger o seu filho. Mesmo que precise ir contra todo mundo, mesmo que precise ir contra a verdade. Longe de lições de moral, é uma história de afeto incondicional só passível de existir nesse tipo de relação. Nesse caso qualquer inverossimilhança foi por água abaixo quando o que está em questão é um tipo de ligação mais forte que qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo.
05. Tudo Pode Dar Certo, Woody AllenWoody não poderia ter escolhido roteiro melhor para voltar aos Estados Unidos. De quebra, chamou outro gênio da comédia para protagonizar a obra: Larry David, O CARA por trás de Seinfield. É o mesmo filme do Woody Allen de sempre (diferente da comédia jovem e sensual em Vicky Cristina Barcelona). Nem dá pra sentir falta do clássico judeu neurótico atuando, porque Larry David é outro: també judeu, também neurótico, e completamente angustiado, rabugento e mal-humorado. E o filme ainda traz uma discussão e uma filosofia muito coerente à toda obra de Woody: já que vivemos num universo sem deus e não há nada para julgar nossos atos, "o que vier é lucro" (a tradução mais adequada para o filme ao invés do ridículo título escolhido).
06. O Segredo dos Seus Olhos, Juan José CampanellaCampanella, com Ricardo Darín novamente, adentra o mundo do policial. E o resultado? Um filmaço, com um dos planos-sequência mais impressionantes da história do cinema. É cinemão popular, emotivo, cativante, carismático, tenso, bem-humorado, envolvente e todos os pré-requisitos para um filme desse filão que Campanella preenche tão bem, com tanto talento e criatividade, tirando da manga mais um filme de alto nível. Nem tem o que comentar, exceto que é incompreensível o fato de que Campanella não seja mais adorado pelo grande público.
07. Inimigos Públicos, Michael MannBelo olhar contemporâneo de Michael Mann sobre a década de 30. Apesar de se utilizar de alguns clichês e derrapar um pouco no relacionamento entre os personagens, é na estilização da violência que o filme brilha. O clímax no cinema prenuncia: a vida naquela época não era um filme glamouroso de gângster de Clark Gable. Pelo contrário, era bem feia e sangrenta. Dillinger contempla o filme em preto e branco como se encarasse um grande vazio - já que o ideal romântico se perdeu, destruído por Mann, Depp e Bale.
08. Onde Vivem Os Monstros, Spike JonzeJonze desgarrou-se de Charlie Kaufman e conseguiu fazer isso muito bem, com um fábula desencantada e com muito a dizer, sem lições de moral baratas e com um visual belíssimo. É uma fábula sobre o crescimento em que a solução dos problemas decorrentes dele e do contexto onde crescemos não está numa verdade absoluta que aparece no final da história, mas do que resolvemos fazer da vida antes que seja tarde.
09. Abraços Partidos, Pedro AlmodóvarOk, Almodóvar é um especialista no drama-comédia-kitsch que sempre conta histórias absurdas dramáticas parecidas e é daqueles cinema de autor por si só, que está a serviço das preferências estéticas do diretor e ponto, sem discutir nada. Mas quem disse que isso é de todo ruim? Não com Penélope Cruz. Testando perucas, em uma comédia, assistindo Viagem à Itália do Rossellini e, mas é claro, de peitinhos de fora. Peitos da Penélope Cruz de fora sempre são um bom motivo para assistir qualquer coisa. Com um bom filme acompanhando, melhor ainda.
10. Se Beber, Não Case!, Todd PhillipsProíbo de me encherem o saco por incluir no top. É engraçado pra cacete, com piadas inspiradas como há muito, muito tempo não se via, um roteiro pra lá de inusitado, uma direção com jogadas visuais criativas e alguns atores hilários. Se você prefere filmes de arte, a culpa é sua e o top é meu, beijosmeliga!
-
Metidas de pau fast-food: Decepções
Sede de Sangue - Filme do grande Chan-Wook Park que começa muito bem, consegue justificar a utilização da podreira, do trash, da temática B, mas acaba se perdendo em meio a muitos psicologismos e devaneios de narrativa. Uma enxugada não faria mal nenhum.
Anticristo - Psicologia de boteco. E ruim. Mal dirigida, mal escrita, e as tão faladas cenas não impressionam em nada. Quem quer ver algo realmente estranhão/bizarro/doentio, deveria procurar A Vingança de Jeniffer, um exploitation ruim pra cacete e apelativo até o limite do mau gosto, mas que pelos menos não tenta ser filminho de arte com fotografia contrastante P&B, câmera lenta e dedicação ao Tarkovsky. Dá um tempo, Von Trier! Se tá com depressão, reúne a galera, vai pro bar de stripper e toma umas breja!
Doce Perfume - Uma cena boa no início. Um filme de fazer roncar alto no final. Minha primeira decepção com Andrzej Wajda, diretor que eu sempre considerei praticamente à prova de falhas.
Vício Frenético - Herzog fazendo uma comédia chata, desconstruindo um drama funcional, se perdendo em meio às viagens e não sabendo quando voltar, se esticando além da conta numa roda interminável (e intragável) de drogas e maluquices, e blá blá blá. Filme sem propósito ou rumo que dá nas bolas.
Sede de Sangue - Filme do grande Chan-Wook Park que começa muito bem, consegue justificar a utilização da podreira, do trash, da temática B, mas acaba se perdendo em meio a muitos psicologismos e devaneios de narrativa. Uma enxugada não faria mal nenhum.
Anticristo - Psicologia de boteco. E ruim. Mal dirigida, mal escrita, e as tão faladas cenas não impressionam em nada. Quem quer ver algo realmente estranhão/bizarro/doentio, deveria procurar A Vingança de Jeniffer, um exploitation ruim pra cacete e apelativo até o limite do mau gosto, mas que pelos menos não tenta ser filminho de arte com fotografia contrastante P&B, câmera lenta e dedicação ao Tarkovsky. Dá um tempo, Von Trier! Se tá com depressão, reúne a galera, vai pro bar de stripper e toma umas breja!
Doce Perfume - Uma cena boa no início. Um filme de fazer roncar alto no final. Minha primeira decepção com Andrzej Wajda, diretor que eu sempre considerei praticamente à prova de falhas.
Vício Frenético - Herzog fazendo uma comédia chata, desconstruindo um drama funcional, se perdendo em meio às viagens e não sabendo quando voltar, se esticando além da conta numa roda interminável (e intragável) de drogas e maluquices, e blá blá blá. Filme sem propósito ou rumo que dá nas bolas.





